Resumo da Assembléia Geral Extraordinária da Associação naturista de Abricó
Data: 8 de junho de 2014
Local: Praia do Abricó

Hora: 12 h 20

O Presidente da Associação, Pedro Ribeiro, deu início à Reunião explicando o tema da assembleia: discutir definições de estratégias para enfrentar a exigência do fim da obrigatoriedade da nudez nos finais de semana por parte da gestão dos parques e a possibilidade de cassação da Resolução que determina a prática do naturismo na praia do Abricó. Explicou também que durante 15 dias recebeu por e-mail sugestões e opiniões de associados e frequentadores da praia, que foram destacadas e reunidas para serem apresentadas à assembleia.

Após Pedro relatou o que ocorreu nas duas reuniões da Conselho Consultivo da Prainha e Grumari, quando foram discutidos os problemas da praia do Abricó. Disse que as maiores reclamações sobre a praia são os flagrantes de atos sexuais e impedimento da entrada de pessoas vestidas nos finais de semana e que as sugestões vindas dos participantes da reunião variaram entre a Associação assumir o ônus da fiscalização também de segunda à sexta-feira até a revogação da Resolução que permitiu a prática do naturismo na praia. Pedro explicou que a tal Resolução realmente prevê a frequência de "não adeptos" na área naturista, mas que, no primeiro parágrafo, diz que todos os frequentadores deverão seguir as normas da Associação naturista de Abricó. Além disso disse que o termo "não adeptos" foi interpretado, pela associação, como não naturistas, pois quase a totalidade de quem entra na praia não é naturista embora tire a roupa. Ficar nu na praia é uma norma da associação, que não impede de qualquer pessoa entrar na praia, mesmo o não adepto do naturismo (aquele que segue a filosofia do naturismo), mas deve seguir as regras da praia, todas elas: sobre o lixo, sobre atos sexuais, sobre uso de drogas, sobre animais domésticos, sobre fogueiras, sobre respeito às pessoas e ao ambiente e sobre a nudez.

Passado às sugestões, foram lidas uma a uma, discutidas e votadas na mesma hora.

Primeira: "Criar um clube naturista particular para associados apenas. De preferência um grande sítio com área de lazer, piscina, restaurante, cercado totalmente  e protegido de olhares curiosos...". Proposta rejeitada em votação, por unanimidade.

Segunda: "Permitir a entrada de pessoas vestidas na praia também nos sábados, domingos e feriados". Seguiu grande debate. Todos os argumentos foram contrários à ideia. Foi colocado que isto poderá significar o fim do Naturismo, pois não há como a Associação fiscalizar e controlar a quantidade de pessoas que entrariam na praia sem nenhum tipo de compromisso com a filosofia naturista. Mesmo com a obrigatoriedade do nu a grande maioria que entra não tem qualquer compromisso com o naturismo, no entanto a quantidade reduzida de pessoas por conta da obrigatoriedade torna a fiscalização possível e viável. Além disso a praia mista (nus e vestidos) já foi experimentada e o resultado foi desastroso para o Naturismo, com todo tipo de infração à lei e sem qualquer apoio do poder público no patrulhamento. Além desses argumentos, também foram postos que a privacidade de ser fotografado apenas quando autorizado e a tranquilidade de deixar seus pertences sobre a areia e caminhar sem a menor preocupação estariam perdidos. Em votação, 21 pessoas rejeitaram a proposta, nenhum voto a favor e uma abstenção.

Terceira: "Pedir tombamento da prática do Naturismo na praia do Abricó como Patrimônio Cultural Imaterial na base do Artigo 215 da Constituição Brasileira". A alegação é de que o Naturismo já é praticado continuamente há mais de 50 anos na área e portanto faz jus ao artigo mencionado. A vantagem é que, se aprovada, ninguém mais poderá mexer com o Naturismo na praia do Abricó. Seguiu-se debate. Em votação foi aprovada por unanimidade. Vilma Pereira se ofereceu para fazer as pesquisas e entrar em contato com os proponentes Camila e Jean François, para agirem conjuntamente.

Quarta: "Contatar o ex-deputado e jornalista Fernando Gabeira, o deputado estadual Marcelo Freixo e o deputado federal Jean Willys para apoio à nossa causa". Após algumas discussões a proposta foi aprovada. Marcos Aurélio ficou encarregado de agilizar estes contatos.

Quinta: "Colocar a questão da praia do Abricó na imprensa". Seguiu-se grande debate. Argumentos favoráveis e contrários. Argumentou-se que nem sempre a imprensa nos é favorável, com matérias às vezes preconceituosas com expressões jocosas. Outros acham que ela poderia ser uma boa aliada. Na votação a proposta foi rejeitada pela maioria.

Sexta: "Presença permanente do Naturismo e/ou do Estado, para fazer valer todos os dias as normas do Código de Ética". Nos debates ficou posto que a Associação não tem como bancar uma fiscalização permanente na praia por causa de verba e de pessoal, pois todos têm seus empregos durante os dias da semana e que já foi pedido inúmeras vezes às autoridades competentes o policiamento e patrulhamento fixo e permanente na praia , mas a alegação para não realizar isso é de que não há efetivo disponível. Foi sugerido que tentemos mais uma vez o contato com as autoridades. Ninguém foi contra a proposta original, mas ela não foi votada porque não há como realizá-la por nossa vontade.

Sétima: "Formação de grupos voluntários para um rodízio semanal para fazer um comitê de relações públicas, para explicar a todos que chegam o funcionamento da praia e as normas do Naturismo". Após intenso debate, a proposta foi modificada para fazer o trabalho espontaneamente, sem compromisso de dia. Houve discordância sob alegação de que essa forma descompromissada não traria bons resultados. Em votação a proposta modificada foi a vencedora por uma pequena margem de votos.

Oitava: "Exigir na reunião com o governo o policiamento ou ronda dos guardas da reserva Ibama/Ineia ou guarda florestal". Nos debates achou-se que a proposta é muito parecida com a sexta. Teve o mesmo final.

Nona: "Criar um perfil falso da praia do Abricó nas redes sociais para denunciar aqueles que forem pegos fazendo sexo no local". No debate foi argumentado que fotografar sem permissão vai contra as normas do Naturismo. A proposta recebeu muitas críticas, então a proponente retirou-a da votação.

Décima: "Usar o outro lado das pedras como área naturista, caso fique realmente decidido que a área atual deva receber pessoas vestidas também nos sábados, domingos e feriados". Na argumentação foi lembrado que a praia do Abricó foi liberada toda como naturista pela Resolução e não apenas a parte utilizada pelos naturistas atualmente. Além disso, não faria mais sentido os naturistas se privarem das benesses do outro lado, como o acesso ao quiosque/restaurante e o fim do sofrimento de ter que escalar pedras para poder entrar na praia em algumas ocasiões do ano, só para poder ficar nu. Nas discussões foi questionada como seria a aceitação dos frequentadores habituais daquela parte não acostumadas ao Naturismo. Em votação, a proposta foi aceita.

Décima primeira e última proposta: "Distribuir desde já panfletos explicando aos frequentadores da outra parte da praia porque poderá acontecer dos naturistas também lá frequentarem". Essa questão causou muita polêmica, alguns achando que isso seria uma espécie de provocação à gestão do Parque e outros achando que seria uma manifestação política apropriada para o momento. Na votação apertada, somente quatro pessoas votaram a favor da proposta e todos os outros presentes se abstiveram. Portanto ela foi aprovada. Em discussão posterior ficou decidido que o texto dos panfletos deverá ser submetido aos associados antes de ser distribuído, que poderão opinar sobre alterações. Pedro Ribeiro ficou de preparar o texto.

A Assembleia foi encerrada às 15 horas e 40 minutos.

Vinte e quatro pessoas participaram da assembleia.

Rio de Janeiro, 8 de junho de 2014

 

Pedro Ricardo A. Ribeiro - presidente